Passar da demo para a conta real de forex
Passar da demo para a conta real de forex gera uma queixa tão frequente que vale desmontá-la em partes: «na demo dá certo, no real não». As causas são exatamente três, e só uma delas é psicológica. As outras duas são técnicas e normalmente passam despercebidas, porque se põe tudo na conta dos nervos.
Três causas da divergência
Numa conta demo a ordem é executada ao preço pedido quase sempre. Numa real há slippage, alargamento do spread nas notícias e atraso. Em alvos curtos isso come uma parte notável do resultado — às vezes todo ele.
técnicaParte das contas demo não cobra swap nem comissão, ou cobra pelos valores de vitrine. Uma estratégia com operações frequentes é lucrativa na demo e não é no real.
técnicaA única causa psicológica, mas a mais visível. Na demo não há aversão a perdas: os números não estão ligados ao seu dinheiro, então o stop não é movido e o lucro é mantido até o alvo.
psicológicaA ordem da análise deve ser exatamente essa. Antes de explicar a divergência pela psicologia, convém checar os dois primeiros pontos: comparar spread, comissão e swaps na demo e na conta real da mesma corretora. Muitas vezes metade da diferença se explica aí.
Conta demo de forex e psicologia: o que ela realmente testa
Limites de aplicabilidade
Como tornar a passagem suave
A tarefa da passagem não é «começar a ganhar», e sim manter a proporção de regras cumpridas quando aparece o risco de verdade. Isso é mensurável, e é para isso que convém olhar nos primeiros meses.
Aquele com que um stop não muda a sua noite. Muitas vezes são 0,01 lote, e é normal: o objetivo das primeiras operações não está no dinheiro.
1 mêsCalcula-se a proporção de operações conforme as regras. Enquanto ela estiver abaixo de 90 %, o volume não aumenta seja qual for o resultado.
1–2 mesesDepois de trinta operações com proporção de cumprimento de 90 % ou mais. Se a proporção cair, volta ao passo anterior.
conforme ocorrerUm drawdown de profundidade definida devolve o volume um passo atrás automaticamente, sem discussão.
continuamenteComo configurar a demo para que ela teste alguma coisa
Uma conta demo não é inútil em si, e sim na configuração padrão. Cinco parâmetros a aproximam da realidade tanto quanto é possível.
Spread, comissão e swap devem coincidir. Uma demo em outra corretora testa condições de execução alheias.
custosUma demo de 100 000 $ com uma conta real de 500 $ não treina nada: os volumes, o risco e a tolerância ao drawdown serão outros.
escalaCalculado pela mesma fórmula e pelo mesmo percentual de risco. Caso contrário, a estatística dos setups é reunida sobre outra amostra.
volumeCom todas as colunas, inclusive o estado antes de entrar. Os registros da demo depois são comparados com os reais, e a diferença é justamente o objeto da análise.
mediçãoTrês ou quatro semanas. Depois disso se forma o hábito das perdas indolores, e ele atrapalha na conta real.
prazoAo menos uma sessão com divulgação de dados importantes. Na demo quase não há slippage — e é isso que precisa ser visto com os próprios olhos para não haver surpresa no real.
execuçãoas duas primeiras se medem comparando relatórios; a terceira, comparando diários
O que comparar nos dois diários
O procedimento de transição mais útil é comparar a estatística da demo com as primeiras trinta operações reais. Ele mostra o que exatamente mudou, em vez da sensação genérica de «no real tudo é diferente».
| Indicador | Se caiu no real | O que significa |
|---|---|---|
| Proporção de operações conforme as regras | de 95 % para 70 % | Comportamento: entraram em cena o medo e a aversão a perdas |
| Tempo médio em posição | as vencedoras mais curtas, as perdedoras mais longas | Efeito de disposição: cortamos o lucro e seguramos o prejuízo |
| Vencedora média em R | de +2,0 para +1,1 | Fechamento precoce: a principal causa da queda da expectativa |
| Número de stops movidos | de 0 para 6 de 30 | Medo de errar: o stop é sentido como derrota |
| Slippage | 0 pt na demo, 1–3 pt no real | Diferença técnica, não tem relação com o comportamento |
| Operações por semana | de 4 para 9 | Ansiedade e necessidade de agir, e não aumento do número de setups |
A separação importa porque cada coisa se corrige com meios diferentes. O slippage se resolve escolhendo o horário de operação e o tipo de ordem; a queda da proporção de cumprimento, reduzindo o volume; e o aumento do número de operações, com um limite. O conselho genérico de «você vai se acostumar» não ajuda em nenhum dos três casos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo operar na demo?
O suficiente para lapidar a técnica e confirmar que os setups aparecem — normalmente algumas semanas. Depois disso a demo deixa de trazer novidade: o comportamento sob risco não se treina nela, e o hábito das perdas indolores se forma depressa e atrapalha.
Por que na demo dá certo e no real não?
Cheque primeiro os custos e a execução: muitas vezes a diferença se explica por aí. A parte restante cabe ao comportamento: numa conta real entram em cena a aversão a perdas e o medo, que na demo não existiam.
Ajuda voltar para a demo depois de um fracasso?
Ajuda a recuperar a técnica, mas não resolve a questão do comportamento. É mais sensato fazer uma verificação curta das regras na demo e voltar ao volume real mínimo, onde há risco mas ele é indolor.
Vale abrir uma conta real com o valor mínimo da corretora?
O tamanho da conta não se escolhe pelo mínimo da corretora, e sim pela sua tolerância: é o valor cuja perda não muda nada na sua vida. Se o depósito mínimo for maior que esse valor, essa corretora não serve para a primeira conta.